Conflitos no Oriente Médio: Como a guerra pode impactar o agronegócio brasileiro?
28 de março de 2026
A escalada dos
conflitos no Oriente Médio voltou a gerar preocupação nos mercados globais e acendeu um alerta também no agronegócio brasileiro.
Embora a região esteja geograficamente distante das principais áreas produtoras do Brasil, sua importância para o comércio internacional de energia, fertilizantes e alimentos faz com que qualquer instabilidade tenha efeitos diretos sobre o setor agrícola.
Nos últimos dias, a intensificação do conflito envolvendo
Irã, Estados Unidos e Israel elevou os preços do petróleo, aumentou o risco logístico em rotas marítimas estratégicas e trouxe maior volatilidade para os mercados internacionais.
Esse cenário pode afetar tanto os custos de produção nas lavouras quanto a dinâmica das exportações agrícolas brasileiras.
Para entender por que uma guerra no Oriente Médio pode impactar o agro nacional, é preciso analisar como energia, fertilizantes, logística e comércio internacional estão interligados.
Neste artigo, você vai entender como os conflitos no Oriente Médio podem afetar o mercado de fertilizantes, o preço da energia e as exportações agrícolas do Brasil.
Os
conflitos no Oriente Médio envolvem disputas políticas, territoriais e estratégicas entre diversos países da região e potências internacionais. No cenário atual, a escalada militar entre Irã, Estados Unidos e Israel aumentou a tensão geopolítica e trouxe impactos imediatos para os mercados globais.
A região possui importância estratégica para a economia mundial porque concentra rotas logísticas fundamentais e uma parcela significativa da produção global de energia. Entre os principais pontos críticos estão:
Quando essas rotas ou cadeias de produção são afetadas, os impactos rapidamente se espalham pelo comércio global.
O agronegócio moderno depende de cadeias internacionais complexas que envolvem energia, fertilizantes, logística e comércio global. Quando um conflito ocorre em uma região estratégica, o efeito costuma acontecer em cadeia.
Primeiro,
o aumento do risco geopolítico eleva o preço do petróleo, que atua como principal vetor de transmissão de custos no agronegócio.
De acordo com análise de inteligência de mercado da Biond Agro, conduzida por Yedda Monteiro, esse movimento impacta diretamente não apenas os custos, mas também a formação de preços das commodities agrícolas, especialmente em momentos de tensão no Oriente Médio (Canal do boi, 2026.
Com energia mais cara, sobe também o custo de produção de fertilizantes nitrogenados, já que o gás natural e o petróleo são matérias-primas essenciais na fabricação desses insumos.
Quando o setor energético entra em crise, os preços dos fertilizantes tendem a subir de forma expressiva, impactando diretamente o custo de produção agrícola, especialmente no Brasil, que depende fortemente da importação desses insumos (Agroband, 2026).
Em seguida, o conflito pode afetar rotas marítimas
e
elevar custos de transporte e seguros. Isso encarece tanto a importação de insumos quanto a exportação de commodities agrícolas.
Segundo análise feita pelo time Biond Agro, com base no acompanhamento de mercado realizado pela analista, Yedda Monteiro, os contratos de soja na Bolsa de Chicago romperam recentemente faixas históricas de negociação, passando de níveis próximos a US$10,2–10,9 para patamares acima de US$11,30–11,60 (Canal do boi, 2026)
Além disso, a instabilidade geopolítica tem elevado o chamado “prêmio de risco” nas commodities agrícolas, pressionando os preços em mercados internacionais como a Bolsa de Chicago (Agroband, 2026).
O agronegócio brasileiro está fortemente integrado ao comércio internacional. Por isso, mudanças no cenário global podem influenciar diretamente custos e preços no campo.
Segundo dados do comércio exterior, o Brasil exportou cerca de
US$12,4 bilhões em produtos agrícolas para países do Oriente Médio em 2025, o equivalente a aproximadamente
7,4% das exportações do setor.
Entre os principais produtos exportados para a região estão: milho, carne de frango, açúcar, carne bovina, soja e derivados.
Algumas cadeias produtivas possuem exposição ainda maior. O Oriente Médio responde por cerca de
29% das exportações brasileiras de carne de frango e mais de
30% das exportações de milho.
Isso significa que instabilidades na região podem afetar diretamente o fluxo comercial desses produtos.
Entre todos os fatores, o mercado de fertilizantes é um dos mais sensíveis às tensões no Oriente Médio. A região possui grande importância na produção global desses insumos. O Irã possui capacidade produtiva de aproximadamente
9 a 10 milhões de toneladas de ureia, representando cerca de 4% da produção global.
Mais relevante ainda é a dependência brasileira: cerca de
21% da ureia importada pelo Brasil em 2025 teve origem no Irã, o que aumenta significativamente a exposição do país a eventuais interrupções logísticas ou produtivas na região.

Participação das importações brasileiras de ureia em 2025, com destaque para a relevância do Irã no abastecimento e para o risco de concentração em fertilizantes nitrogenados.
Fonte: Comexstat – adaptado por Biond Análises.
Por isso, qualquer interrupção logística ou aumento de preços pode impactar o custo de produção agrícola. Nos primeiros dias de escalada do conflito, as cotações internacionais da ureia já registraram altas superiores a
10% em apenas um dia, refletindo a incerteza sobre oferta e logística.
Além dos fertilizantes, outros insumos agrícolas também podem ser impactados. Muitos princípios ativos utilizados em defensivos agrícolas passam por rotas que envolvem o Oriente Médio. Qualquer desvio logístico tende a pressionar prazos, custos e disponibilidade desses produtos, afetando diretamente o planejamento das lavouras no Brasil.
Outro impacto importante da guerra no Oriente Médio ocorre por meio do mercado de energia. O papel do Irã nesse cenário é ainda mais relevante.
Segundo dados analisados pela Biond, o país detém a 3ª maior reserva global de petróleo e está entre os principais produtores mundiais, o que faz com que qualquer instabilidade na região impacte diretamente os preços globais da energia.
Com a intensificação das tensões entre Estados Unidos e Irã, o preço do barril de petróleo ultrapassou os US$100, atingindo o maior patamar dos últimos quatro anos, de acordo com a analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, Yedda Monteiro (AgroBand, 2026).
Esse movimento reforça como o petróleo atua como principal vetor de transmissão de custos dentro do agronegócio.
De acordo com uma análise que fizemos recentemente,
Biond Agro, a alta do petróleo gera impactos quase imediatos no complexo da soja:
aumenta a competitividade do biodiesel, eleva a demanda por óleo vegetal e impulsiona o processamento (esmagamento).
Como consequência, há valorização da soja e de toda a cadeia associada, mostrando que o impacto da guerra não se limita apenas aos custos, mas também influencia diretamente os preços das commodities agrícolas.
O diesel é um dos principais custos operacionais da produção agrícola. Ele é utilizado em diversas etapas da produção como: preparo do solo, plantio, colheita, transporte interno e escoamento da safra.
Quando o preço do petróleo sobe, o diesel acompanha esse movimento, e, no Brasil, onde a matriz de transporte é majoritariamente rodoviária, o impacto é imediato.
Esse aumento pressiona o frete em todas as etapas da cadeia: desde o transporte de fertilizantes até as fazendas, passando pelo escoamento da produção e chegando até a distribuição final nos centros consumidores. O resultado é um efeito cascata que encarece não apenas os custos no campo, mas também o preço final dos alimentos.
A logística internacional também pode ser afetada pela instabilidade na região. O Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho são corredores estratégicos para o transporte de petróleo, fertilizantes e mercadorias. Qualquer risco nessas rotas pode gerar:
Em alguns casos recentes, o frete internacional chegou a apresentar aumentos expressivos após a escalada das tensões.
Além disso, estudos da FGV Agro divulgados pelo
AgroBand (2026) indicam que
existe uma correlação histórica positiva entre os preços das commodities agrícolas e do petróleo, ou seja, quando a energia sobe, o custo dos alimentos tende a acompanhar esse movimento.
O Irã ocupa posição estratégica no comércio global de grãos, sendo o
7º maior importador mundial de milho e um importante comprador do produto brasileiro.
Caso o conflito afete a infraestrutura logística do país, há risco de redução nas importações, o que pode gerar um cenário de sobreoferta no mercado interno brasileiro, pressionando os preços, especialmente em um contexto de alta produção.
Os
conflitos no Oriente Médio
mostram que o agronegócio deixou de ser impactado apenas por fatores tradicionais como clima, produtividade ou tecnologia.
Hoje, decisões tomadas a milhares de quilômetros das lavouras brasileiras podem alterar rapidamente o preço da energia, dos fertilizantes, do frete e até das commodities agrícolas.
Em um cenário global cada vez mais conectado, a geopolítica passou a influenciar diretamente o planejamento da safra, a gestão de custos e as
estratégias de
comercialização.
Para o produtor rural, momentos de instabilidade geopolítica também podem abrir janelas de oportunidade. Estratégias como avanço gradual na comercialização, vendas fixas e uso de ferramentas de proteção ganham ainda mais importância em cenários de alta volatilidade.
Movimentos como a escalada das tensões no Oriente Médio mostram como o mercado pode reagir rapidamente a fatores externos. Preços de fertilizantes podem subir em poucos dias, rotas logísticas podem ser impactadas e oportunidades de comercialização podem surgir ou desaparecer em questão de semanas.
[ANÁLISE EXCLUSIVA BIOND] É exatamente nesse contexto que a informação estratégica ganha valor. Mais do que acompanhar notícias, é preciso entender
o que está por trás dos movimentos do mercado global, e como eles podem impactar diretamente o agro brasileiro.
Diante desse cenário, destacamos a importância de algumas estratégias práticas para o produtor rural:
Em um ambiente de alta volatilidade, acompanhar o cenário geopolítico com inteligência deixa de ser opcional e passa a ser essencial para a tomada de decisão no campo.
Para aprofundar essa análise, o Biond Análises desenvolveu o relatório exclusivo:
“Guerra Comercial China e EUA: acordo perfeito ou rali de vitrine?”.
O material traz uma leitura estratégica sobre os movimentos geopolíticos mais recentes e seus reflexos nos preços das commodities, no custo dos insumos e nas oportunidades de comercialização.
Em um cenário onde conflitos internacionais, energia e comércio global estão cada vez mais conectados, antecipar tendências deixou de ser diferencial , passou a ser necessidade.
Se você quer entender como esses movimentos globais podem impactar suas decisões no campo, esse é o momento de se aprofundar.
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