El Niño 2026: como o fenômeno pode impactar o agro, a soja e as decisões do produtor
6 de junho de 2026
O
El Niño 2026 voltou ao centro das discussões do agronegócio brasileiro. O fenômeno passou a ser observado como uma variável estratégica para o planejamento da safra e a tomada de decisão comercial do produtor rural.
A preocupação ganhou força com a atualização das projeções internacionais. O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos, ligado à NOAA,
elevou para
82% a probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho de 2026 (Gráfico 1).
A mesma projeção indicou 96% de chance de continuidade do fenômeno até o trimestre dezembro de 2026 a fevereiro de 2027, período que coincide com fases importantes do ciclo agrícola na América do Sul.
Veja neste artigo por que o El Niño 2026 entrou no radar do agro, quais impactos o fenômeno pode provocar no regime de chuvas do Brasil e como esse cenário pode afetar diretamente o planejamento, a produtividade e a comercialização da soja e de outras culturas nas próximas safras.
O El Niño é uma das fases do fenômeno conhecido como ENOS, sigla para El Niño-Oscilação Sul. Ele ocorre quando há aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, especialmente em áreas usadas como referência para o monitoramento climático global.
Na prática, esse aquecimento muda a circulação dos ventos e interfere na distribuição das chuvas em diferentes partes do mundo. Por isso, o El Niño pode provocar seca em algumas regiões, excesso de chuva em outras e maior frequência de eventos extremos.
Para o agro, o impacto está justamente nessa alteração da
previsibilidade. A produção agrícola depende de janelas muito específicas.
O produtor precisa plantar no momento adequado, contar com umidade suficiente no solo, evitar excesso de chuva em períodos operacionais e proteger a lavoura em fases críticas de desenvolvimento.
Quando o clima se torna mais irregular, a lavoura fica mais exposta. Um atraso no plantio da soja, por exemplo, pode comprometer o estabelecimento inicial das plantas, elevar o risco de replantio e reduzir o potencial produtivo. Além disso, quando a soja atrasa, o milho segunda safra também pode ser afetado, porque sua janela ideal de plantio fica mais curta.
O impacto do
El Niño 2026
no Brasil, pode ser sentida em cada região de forma diferente, o que torna a análise regional essencial para o produtor (Figura 1).
O
El Niño 2026 preocupa ainda mais porque chega em um momento de custos elevados e margens mais apertadas.
O produtor não está decidindo apenas quando plantar ou qual cultivar usar. Ele também está avaliando quanto investir, como financiar a safra, qual pacote tecnológico manter e qual nível de risco consegue assumir.
Nas projeções divulgadas pelo Imea, o aumento nos custos de produção aparece como um dos fatores de pressão para a safra 2026/27, com destaque para insumos como diesel e fertilizantes. Esse cenário pode levar produtores a ajustarem o pacote tecnológico, especialmente em um ambiente de juros altos e crédito mais restrito.
Esse ponto é decisivo. Quando o custo sobe, o produtor precisa de produtividade para diluir o investimento por hectare.
Se o clima reduz o potencial produtivo, a margem fica ainda mais vulnerável. Ou seja, o risco climático se soma ao custo financeiro, ao preço dos insumos, ao câmbio, à logística e ao mercado da commodity.
A soja é uma das principais culturas do agronegócio brasileiro e tem grande peso na balança comercial, na formação de renda no campo e no mercado global de grãos.
Por isso, qualquer risco climático sobre a safra brasileira tende a chamar atenção de produtores, tradings, cooperativas, consultorias e investidores.
O
El Niño 2026 pode coincidir com fases decisivas da safra 2026/27. Se o fenômeno se consolidar ao longo do segundo semestre de 2026 e persistir no início de 2027, seus efeitos podem aparecer justamente durante o plantio, o desenvolvimento inicial e parte do ciclo reprodutivo da soja (Agrolink, 2026) e causar:
Um exemplo concreto desse risco aparece nas projeções para Mato Grosso, maior produtor de soja do Brasil.
O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, Imea, estimou para a safra 2026/27 uma produtividade de
62,44 sacas por hectare, queda de
5,43% em relação ao ciclo anterior. A produção total foi projetada em
48,88 milhões de toneladas, recuo de
5,19%. A área plantada, por sua vez, deve crescer apenas
0,25%, chegando a
13,04 milhões de hectares (Notícias Agrícolas, 2026).
Embora esse dado seja regional, ele funciona como um termômetro para o restante do país. Mato Grosso concentra uma parcela expressiva da produção nacional, e qualquer ajuste relevante em produtividade no estado tem potencial de influenciar a leitura sobre a oferta brasileira.
Além do impacto no campo, o El Niño também influencia o mercado. Quando há risco climático sobre uma grande região produtora, compradores e vendedores passam a ajustar expectativas sobre a oferta futura.
Na soja, esse movimento pode afetar Chicago, prêmios de exportação, ritmo de comercialização, preços internos e estratégias de venda.
Se o mercado passa a enxergar risco de quebra produtiva, os preços podem encontrar sustentação. Mas se as chuvas se regularizam e a produção se confirmar em bom nível, o efeito pode ser diferente.
É por isso que o produtor precisa evitar decisões baseadas apenas na cotação do dia. O preço da soja
é formado por uma combinação de fatores:
Relatórios de mercado recentes já mostram que analistas acompanham o El Niño como um fator de risco para a próxima safra.
O Bank of America e Santander, avaliaram que o cenário global de grãos segue construtivo para preços, mas destacaram que o avanço de um possível El Niño e a inflação de custos mantêm riscos importantes no radar (Money Times, 2026).
No mesmo contexto, o USDA projetou estoques finais de soja dos Estados Unidos em
8,4 milhões de toneladas para 2026/27, número
15% abaixo do consenso de mercado, com relação estoque/uso em
6,9%, abaixo da média histórica de
9%.
Esses dados mostram que o mercado global já opera atento ao equilíbrio entre oferta e demanda. Se o clima adicionar incerteza à produção sul-americana, especialmente no Brasil e na Argentina, a volatilidade pode aumentar.
O risco do El Niño 2026 não significa que a safra está comprometida. Ainda há incertezas sobre intensidade, duração e distribuição dos impactos.
O produtor precisa acompanhar as atualizações climáticas, entender os riscos por região e ajustar o planejamento conforme o cenário evolui. Na prática, alguns pontos merecem atenção desde agora:
Em um ano em que o
El Niño 2026 pode interferir no planejamento da safra, acompanhar informação de forma solta não é suficiente. O produtor precisa de uma leitura organizada, atualizada e conectada com a realidade do mercado.
Com o
Biond Análises, o produtor acompanha dados de mercado, cotações, clima, oferta e demanda, relação de troca, fertilizantes, embarques, movimentos internacionais e alertas estratégicos direto no WhatsApp.
Em um cenário de possível irregularidade climática, custos altos e maior volatilidade na soja, essa leitura se torna ainda mais importante. Afinal, uma decisão tomada sem análise pode comprometer a margem.
O El Niño 2026 não precisa ser tratado como motivo de pânico. Mas também não pode ser ignorado. Ele deve ser acompanhado como uma variável estratégica da safra.
Com informação qualificada, o produtor deixa de reagir ao mercado e passa a tomar decisões com mais clareza. Para acessar a análise completa do Biond Análises sobre El Niño, safra 2026/27, USDA, mercado internacional e gestão de risco, solicite o relatório semanal pelo WhatsApp.

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