La Niña e Safra 25/26: impactos no mercado agrícola e na comercialização de grãos
Em anos como a safra 25/26, o clima deixa de ser pano de fundo e se torna variável estratégica dentro do mercado agrícola. O fenômeno La Niña representa uma redistribuição dos riscos climáticos que afeta o campo, a comercialização de grãos, a logística e, por fim, o resultado financeiro de cada operação rural.
Na prática, isso significa janelas de plantio de soja mais curtas, estresse hídrico localizado, prêmios portuários oscilando e maior sensibilidade às movimentações de Chicago (CBOT) e do câmbio.
Ao longo deste conteúdo, você vai entender como usar previsões de safra e dados de análise de mercado agrícola para transformar incerteza em decisão, identificando janelas favoráveis, construindo médias sólidas e garantindo previsibilidade mesmo em anos de volatilidade.
La Niña altera o ritmo do plantio e acende sinal de atenção no mercado agrícola
Desde setembro, o fenômeno La Niña vem alterando o comportamento das chuvas no Brasil e deve perdurar até o início de 2026, segundo estimativas da NOAA. Embora seja de baixa intensidade, o evento já provoca mudanças importantes nas condições de campo e no avanço do plantio da safra 2025/26.
No Centro-Oeste, as chuvas voltaram de forma mais regular, favorecendo o plantio da soja antecipado em Mato Grosso e Goiás. Esse cenário amplia a janela para o milho segunda safra, que depende de boa umidade e ritmo acelerado da colheita da soja.
No Sudeste, o retorno da umidade traz alívio para soja e café, principalmente em Minas Gerais e São Paulo, após dois anos de déficits hídricos. A regularidade das chuvas deve garantir melhor germinação e florada mais uniforme, fortalecendo o potencial produtivo dessas culturas.
Já o Sul enfrenta um cenário oposto. Chuvas abaixo da média e estiagens entre outubro e dezembro ameaçam o enchimento de grãos, pressionando o mercado agrícola e exigindo ajustes de calendário.
Essas diferenças regionais já influenciam o mercado agrícola. A combinação entre clima irregular e incerteza produtiva tem gerado oscilações nos preços da soja e do milho, refletidas nos três principais vetores de formação de preço:
- Chicago (CBOT) reage às previsões climáticas e revisões de safra na América do Sul;
- Câmbio (US$/R$) transmite essas variações para o mercado agrícola interno e ajusta a paridade de exportação;
- Prêmios portuários se movimentam conforme a disputa por origem, o ritmo de embarques e os custos logísticos.
Com o mercado sensível ao clima, qualquer mudança na previsão de chuva é precificada rapidamente, impactando diretamente a comercialização de grãos e as margens de rentabilidade da safra 25/26.
A dinâmica regional também foi detalhada em entrevista concedida por Isabella Pliego, analista de mercado da Biond Agro, ao portal Notícias Agrícolas. De acordo com a especialista, mesmo sendo classificado como de baixa intensidade, o atual La Niña chama atenção pela duração e pelo momento em que ocorre:
“Mesmo sendo de baixa intensidade, este La Niña tem potencial relevante em duração e impacto, justamente por coincidir com um momento de transição climática e alta sensibilidade na produção agrícola brasileira.”
Modelos do CPC/NOAA indicam cerca de 55% de chance de transição para neutralidade entre janeiro e março de 2026. Isso significa que o período entre dezembro e fevereiro deve concentrar os efeitos mais importantes sobre soja, milho e algodão, justamente a fase mais delicada das lavouras.
Pliego explica ainda que a configuração oceânica reforça os contrastes típicos do fenômeno:
“A combinação entre o resfriamento do Pacífico e o aquecimento anômalo do Atlântico Sul tende a acentuar as chuvas irregulares e as temperaturas mais elevadas no Centro-Sul, enquanto Norte e Nordeste devem receber precipitações acima da média.”
Como o clima afeta o preço da soja e do milho
O preço da soja e o preço do milho são hoje os termômetros do agronegócio brasileiro. Em um ambiente de commodities agrícolas, as variações climáticas e as expectativas de safra são precificadas em minutos na Bolsa de Chicago, impactando o valor recebido nas praças produtoras.
A
cotação da soja em Chicago e o comportamento do dólar determinam a paridade no porto, e o prêmio ajusta o valor líquido na fazenda. Em anos de
La Niña, com clima irregular e prêmios disputados, a
comercialização agrícola exige atenção redobrada. especialmente quando o produtor busca proteger a margem antes que o mercado agrícola reaja.
Estratégias para reduzir risco e proteger a receita
A safra 25/26 tende a ser marcada por forte volatilidade climática e mudanças rápidas no mercado agrícola. Diante desse cenário, o objetivo do produtor não é tentar acertar o topo de preço, mas garantir previsibilidade e construir uma média sólida de venda ao longo do ciclo.
Quem adota práticas consistentes de gestão de risco atravessa os efeitos da La Niña 2025 com mais segurança e controle sobre a margem de lucro.
As estratégias a seguir são essenciais para quem deseja reduzir exposição, aumentar eficiência comercial e alinhar decisão e rentabilidade.
1. Venda fracionada
A venda fracionada é uma das formas mais seguras de equilibrar risco e retorno na comercialização de grãos. Em vez de vender toda a produção em um único momento, o produtor distribui as negociações ao longo de diferentes janelas de mercado, capturando oportunidades de cotação da soja e preço do milho mais favoráveis.
Esse método reduz o impacto de quedas repentinas, evita a dependência de um único preço e cria uma média de venda mais estável. Além disso, facilita o planejamento financeiro e o controle de fluxo de caixa, permitindo ao produtor reagir com flexibilidade às variações de câmbio e prêmio.
A análise de paridade, combinada ao histórico de prêmios portuários, potencializa essa estratégia e transforma a volatilidade de curto prazo em
ganho de previsibilidade.
2. Opções de venda (puts)
As opções de venda, conhecidas como puts, funcionam como um seguro de preço mínimo. Elas definem um valor de proteção para a saca de soja ou saca de milho, garantindo a margem em caso de queda de mercado, mas sem impedir a participação em possíveis altas.
Em um ambiente sujeito à La Niña 2025, onde as condições climáticas e as previsões de safra mudam com rapidez, as puts ganham destaque como ferramenta de proteção. Elas permitem ao produtor se antecipar às oscilações de Chicago (CBOT) e às variações do dólar, que influenciam diretamente o preço da soja e o preço do milho no Brasil.
Por exemplo, uma put contratada em R$130 por saca assegura esse valor mínimo mesmo que o mercado caia. Caso as cotações da soja em Chicago ou o câmbio subam, o produtor ainda pode se beneficiar da valorização.
Essa é uma prática amplamente recomendada por consultores em análise de mercado agrícola e consultoria agrícola, especialmente em anos de alta incerteza.
3. Gestão de base e logística
A base, que representa a diferença entre o preço do porto e o preço na praça, é um dos indicadores mais importantes de competitividade regional no agronegócio. Manter um histórico atualizado dessa variação ajuda o produtor a entender quando o prêmio está acima da média e quando o custo do frete pode anular ganhos.
Planejar frete e armazenagem antes da colheita é fundamental para transformar boas cotações em lucro efetivo. Em anos de La Niña, a logística se torna ainda mais sensível. Portos congestionados, disponibilidade de caminhões e rotas de escoamento afetam diretamente o preço líquido recebido.
A integração entre base, prêmio e logística permite que o produtor capture margens reais e evite perdas no momento da comercialização. A assessoria agrícola desempenha papel decisivo nessa etapa, ajudando a conectar a leitura de mercado à execução operacional.
Planejamento agrícola e decisão estratégica
Produtores que alcançam boas médias seguem um método: definem faixas de preço-alvo, planejam travas por percentual e revisam o cenário semanalmente.
O planejamento agrícola é o alicerce para reduzir riscos e aproveitar os momentos certos de comercialização, especialmente quando o clima e o mercado mudam rapidamente.
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Em um ano de La Niña 2025 e margens apertadas, informação confiável é o insumo mais valioso. Com o Biond Análises, o produtor substitui o improviso, por método, e transforma volatilidade em vantagem competitiva… ou seja, quem acompanha nossas análises tem mais segurança e visão para agir na hora certa.
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